Adaptação da obra de Machado de Assis para confecção de um vídeo feito com baixos recursos, captados com celulares ou câmeras fotográficas digitais e até mesmo web-cams, editados com os softwares livres CINELERRA e GIMP. Tragam suas imagens, celulares ou câmeras. Orientação: Lu Arembepe.
9 a 12/9, de terça a sexta, das 18h às 20h.
Está acontecendo nossa oficina Video de Bolso. Duas pessoas estão fazendo a oficina: Henrique e Moiseś. Moisés, já chegou com uma sugestão que de primeira foi acolhida. Um trecho do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas—> CAPÍTULO XXXI / A borboleta preta.
Henrique está cuidando de desenhar borboletas e jardins para enfeitar os creditos do filme e a abertura. Moisés ficou encarregado de produzir as imagens. Hoje, 3o. dia de oficina estamos na fase de edição, escolha de músicas e finalização do nosso video de bolso.
Assim que concluirmos todo o processo de feitura do video, publicaremos ele aqui.
Viva o bruxo do Cosme Velho!!!
salve voce que nos acompanha!
passamos um pouco do prazo de publicação de nosso video. mas aqui está ele semifinalizado.
falta apenas uns retoques, a bertura e os creditos.
Obrigado e parabéns a Henrique e Moisés que participaram e mandaram muito bem no video. cada um dentro de seus objetivos.
Valeu!!
Abaixo o conto:
CAPÍTULO XXXI / A BORBOLETA PRETA
NO DIA SEGUINTE, como eu estivesse a preparar-me para descer, entrou no meu quarto uma borboleta, tão negra como a outra, e muito maior do que ela. Lembrou-me o caso da véspera, e ri-me; entrei logo a pensar na filha de D. Eusébia, no susto que tivera, e na dignidade que, apesar dele, soube conservar. A borboleta, depois de esvoaçar muito em torno de mim, pousou-me na testa. Sacudi-a, ela foi pousar na vidraça; e, porque eu a sacudisse de novo, saiu dali e veio parar em cima de um velho retrato de meu pai. Era negra como a noite. O gesto brando com que, uma vez posta, começou a mover as asas, tinha um certo ar escarninho, que me aborreceu muito. Dei de ombros, saí do quarto; mas tornando lá, minutos depois, e achando-a ainda no mesmo lugar, senti um repelão dos nervos, lancei mão de uma toalha, bati-lhe e ela caiu.
Não caiu morta; ainda torcia o corpo e movia as farpinhas da cabeça. Apiedei-me; tomei-a na palma da mão e fui depô-la no peitoril da janela. Era tarde; a infeliz expirou dentro de alguns segundos. Fiquei um pouco aborrecido, incomodado.
– Também por que diabo não era ela azul? disse comigo. E esta reflexão, — uma das mais profundas que se tem feito, desde a invenção das borboletas,– me consolou do malefício, e me reconciliou comigo mesmo Deixei-me estar a contemplar o cadáver, com alguma simpatia, confesso. Imaginei que ela saíra do mato, almoçada e feliz. A manhã era linda. Veio por ali fora, modesta e negra, espairecendo as suas borboletices, sob a vasta cúpula de um céu azul, que é sempre azul, para todas as asas. Passa pela minha janela, entra e dá comigo. Suponho que nunca teria visto um homem; não sabia, portanto, o que era o homem; descreveu infinitas voltas em torno do meu corpo, e viu que me movia, que tinha olhos, braços, pernas, um ar divino, uma estatura colossal. Então disse consigo: “Este é provavelmente o inventor das borboletas.” A idéia subjugou-a, aterrou-a; mas o medo, que é também sugestivo, insinuou-lhe que o melhor modo de agradar ao seu criador era beijá-lo na testa, e beijou-me na testa. Quando enxotada por mim, foi pousar na vidraça, viu dali o retrato de meu pai, e não é impossível que descobrisse meia verdade, a saber, que estava ali o pai do inventor das borboletas, e voou a pedir-lhe misericórdia.
Pois um golpe de toalha rematou a aventura. Não lhe valeu a imensidade azul, nem a alegria das flores, nem a pompa das folhas verdes, contra uma toalha de rosto, dous palmos de linho cru. Vejam como é bom ser superior às borboletas! Porque, é justo dizê-lo, se ela fosse azul, ou cor de laranja, não teria mais segura a vida; não era impossível que eu a atravessasse com um alfinete, para recreio dos olhos. Não era. Esta última idéia restituiu-me a consolação; uni o dedo grande ao polegar, despedi um piparote e o cadáver caiu no jardim. Era tempo; aí vinham já as próvidas formigas. . . Não, volto à primeira idéia; creio que para ela era melhor ter nascido azul.
e aqui tá o video(semi pronto- como disse acima falta uns retoquezinhos, a abertura e os créditos. Semana que vem a ultima versão estará publicada. Release early release often!
Como falei no parágrafo anterior, aqui está o vídeo pronto! Foi o melhor que pudemos fazer devido a dinâmica do espaço.
Parabéns Moisés! Ficou ótimo!
Muito dinheiro e esforço, jogados no lixo. Exposição não faz juz aos objetivos do SESC. Muita pretensão, muita literatice
interessante
a eu nao axo nao meu irmao, eu axo essa exposição muito loca, gostei muito, e o sesc esta de parabens por essa exposição !
O Roberto que falou que tudo é babaquice deve ser, com certeza, um babaca, porque, se não apreciarmos os clássicos de nossa literatura, vamos apreciar quem? Cultura importada? Madona, por exemplo? O brasileiro não tem noção de brasilidade, civismo, patriotismo e gosto refinado, infelizmente. Eu adorei, achei incrível a idéia dos idealizadores do SESc Pompéia. Parabéns a todos que trabalharam para que a exposição tivesse essse sucesso. Críticas sempre existem, mas de pessoas sem referencial cultural nenhum.
MACHADO DE ASSIS É EXELENTE PROFISSIONAL FOI ORGULHO PARA MUITA gente GENTE ODOREI OS CONTATOS DELE