Página de arquivo 2
Oficina relâmpago de “Gif Animado” [remix//logo//rios de machado]
Publicado Setembro 5, 2008 1 6 ComentáriosPapéis Avulsos [2]
Publicado Setembro 4, 2008 1 1 ComentárioTags: conto, desenho, gimp, ilustração, inkscape, machado de assis, maciel, maria regina, trio em lá menor
RECORTES MACHADIANOS
De 2 a 5 de setembro
Orientação: Paula Santos
Após a leitura de um conto de Machado, os participantes desta oficina serão convidados a traduzir visualmente as características estéticas das personagens.
O primeiro conto escolhido foi Trio em Lá Menor, publicado em 1900, este texto é narrado em terceira pessoa e segue um andamento musical dividido em quatro movimentos: adágio cantabile, allegro ma non troppo, alegro apassionato e minueto.
A história apresenta o dilema de Maria Regina, uma jovem que busca o verdadeiro amor, mas não consegue decidir entre dois homens: Miranda e Maciel.
Confira abaixo o texto completo e as primeiras experimentações visuais desenvolvidas pelos participantes dos dias 2 e 3.
TRIO EM LÁ MENOR
I ADAGIO CANTABILE
MARIA REGINA acompanhou a avó até o quarto, despediu-se e recolheu-se ao seu. A mucama que a servia, apesar da familiaridade que existia entre elas, não pôde arrancar-lhe uma palavra, e saiu, meia hora depois, dizendo que Nhanhã estava muito séria. Logo que ficou só, Maria Regina sentou-se ao pé da cama, com as pernas estendidas, os pés cruzados, pensando.
A verdade pede que diga que esta moça pensava amorosamente em dous homens ao mesmo tempo, um de vinte e sete anos, Maciel — outro de cinqüenta, Miranda. Convenho que é abominável, mas não posso alterar a feição das cousas, não posso negar que se os dous homens estão namorados dela, ela não o está menos de ambos. Uma esquisita, em suma; ou, para falar como as suas amigas de colégio, uma desmiolada. Ninguém lhe nega coração excelente e claro espírito; mas a imaginação é que é o mal, uma imaginação adusta e cobiçosa, insaciável principalmente, avessa à realidade, sobrepondo às cousas da vida outras de si mesma; daí curiosidades irremediáveis.
A visita dos dous homens (que a namoravam de pouco) durou cerca de uma hora. Maria Regina conversou alegremente com eles, e tocou ao piano uma peça clássica, uma sonata, que fez a avó cochilar um pouco. No fim discutiram música. Miranda disse cousas pertinentes acerca da música moderna e antiga; a avó tinha a religião de Bellini e da Norma, e falou das toadas do seu tempo, agradáveis, saudosas e principalmente claras. A neta ia com as opiniões do Miranda; Maciel concordou polidamente com todos.
Ao pé da cama, Maria Regina reconstruía agora tudo isso, a visita, a conversação, a música, o debate, os modos de ser de um e de outro, as palavras do Miranda e os belos olhos do Maciel. Eram onze horas, a única luz do quarto era a lamparina, tudo convidava ao sonho e ao devaneio. Maria Regina, à força de recompor a noite, viu ali dous homens ao pé dela, ouviu-os, e conversou com eles durante uma porção de minutos, trinta ou quarenta, ao som da mesma sonata tocada por ela: lá, lá, lá…
II ALLEGRO MA NON TROPPO
NO DIA SEGUINTE a avó e a neta foram visitar uma amiga na Tijuca. Na volta a carruagem derribou um menino que atravessava a rua, correndo. Uma pessoa que viu isto, atirou-se aos cavalos e, com perigo de si própria, conseguiu detê-los e salvar a criança, que apenas ficou ferida e desmaiada.

- Vovó – Ilustrada por Antonio
Gente, tumulto, a mãe do pequeno acudiu em lágrimas. Maria Regina desceu do carro e acompanhou o ferido até à casa da mãe, que era ali ao pé.
Quem conhece a técnica do destino adivinha logo que a pessoa que salvou o pequeno foi um dos dous homens da outra noite; foi o Maciel. Feito o primeiro curativo, o Maciel acompanhou a moça até à carruagem e aceitou o lugar que a avó lhe ofereceu até a cidade. Estavam no Engenho Velho. Na carruagem é que Maria Regina viu que o rapaz trazia a mão ensangüentada. A avó inquiria a miúdo se o pequeno estava muito mal, se escaparia; Maciel disse-lhe que os ferimentos eram leves. Depois contou o acidente: estava parado, na calçada, esperando que passasse um tílburi, quando viu o pequeno atravessar a rua por diante dos cavalos; compreendeu o perigo, e tratou de conjurá-lo, ou diminuí-lo.
— Mas está ferido, disse a velha.
— Cousa de nada.
— Está, está, acudiu a moça; podia ter-se curado também.
— Não é nada, teimou ele; foi um arranhão, enxugo isto com o lenço.

- Maciel – Ilustrado por Henrique
Não teve tempo de tirar o lenço; Maria Regina ofereceu-lhe o seu. Maciel, comovido, pegou nele, mas hesitou em maculá-lo. Vá, vá, dizia-lhe ela; e vendo-o acanhado, tirou-lho e enxugou-lhe, ela mesma, o sangue da mão.
A mão era bonita, tão bonita como o dono; mas parece que ele estava menos preocupado com a ferida da mão que com o amarrotado dos punhos. Conversando, olhava para eles disfarçadamente e escondia-os. Maria Regina não via nada, via-o a ele, via-lhe principalmente a ação que acabava de praticar, e que lhe punha uma auréola. Compreendeu que a natureza generosa saltara por cima dos hábitos pausados e elegantes do moço, para arrancar à morte uma criança que ele nem conhecia. Falaram do assunto até a porta da casa delas; Maciel recusou, agradecendo, a carruagem que elas lhe ofereciam, e despediu-se até à noite.
— Até a noite! repetiu Maria Regina.
— Esperou-o ansiosa. Ele chegou, por volta de oito horas, trazendo uma fita preta enrolada na mão, e pediu desculpa de vir assim; mas disseram-lhe que era bom pôr alguma coisa e obedeceu.
— Mas está melhor!
— Estou bom, não foi nada.
— Venha, venha, disse-lhe a avó, do outro lado da sala. Sente-se aqui ao pé de mim: o senhor é um herói.
Maciel ouvia sorrindo. Tinha passado o ímpeto generoso, começava a receber os dividendos do sacrifício. O maior deles era a admiração de Maria Regina, tão ingênua e tamanha, que esquecia a avó e a sala. Maciel sentara-se ao lado da velha. Maria Regina defronte de ambos. Enquanto a avó, restabelecida do susto, contava as comoções que padecera, a princípio sem saber de nada, depois imaginando que a criança teria morrido, os dous olhavam um para o outro, discretamente, e afinal
esquecidamente. Maria Regina perguntava a si mesma onde acharia melhor noivo. A avó, que não era míope, achou a contemplação excessiva, e falou de outra coisa; pediu ao Maciel algumas notícias de sociedade.
III ALLEGRO APPASSIONATO
MACIEL era homem, como ele mesmo dizia em francês, très répandu; sacou da algibeira uma porção de novidades miúdas e interessantes. A maior de todas foi a de estar desfeito o casamento de certa viúva.
— Não me diga isso! exclamou a avó. E ela?
— Parece que foi ela mesma que o desfez: o certo é que esteve anteontem no baile, dançou e conversou com muita animação. Oh! abaixo da notícia, o que fez mais sensação em mim foi o colar que ela levava, magnífico…
— Com uma cruz de brilhantes? perguntou a velha. Conheço; é muito bonito.
— Não, não é esse.
Maciel conhecia o da cruz, que ela levara à casa de um Mascarenhas; não era esse. Este outro ainda há poucos dias estava na loja do Resende, uma cousa linda. E descreveu-o todo, número, disposição e facetado das pedras; concluiu dizendo que foi a jóia da noite.
— Para tanto luxo era melhor casar, ponderou maliciosamente a avó.
— Concordo que a fortuna dela não dá para isso. Ora, espere! Vou amanhã, ao Resende, por curiosidade, saber o preço por que o vendeu. Não foi barato, não podia ser barato.
— Mas por que é que se desfez o casamento?
— Não pude saber; mas tenho de jantar sábado com o Venancinho Corrêa, e ele conta-me tudo. Sabe que ainda é parente dela? Bom rapaz; está inteiramente brigado com o barão…
A avó não sabia da briga; Maciel contou-lha de princípio a fim, com todas as suas causas e agravantes. A última gota no cálice foi um dito à mesa de jogo, uma alusão ao defeito do Venancinho, que era canhoto. Contaram-lhe isto, e ele rompeu inteiramente as relações com o barão. O bonito é que os parceiros do barão acusaram-se uns aos outros de terem ido contar as palavras deste. Maciel declarou que era regra sua não repetir o que ouvia à mesa do jogo, porque é lugar em que há certa
franqueza.
Depois fez a estatística da rua do Ouvidor, na véspera, entre uma e quatro horas da tarde. Conhecia os nomes das fazendas e todas as cores modernas. Citou as principais toilettes do dia. A primeira foi a de Mme. Pena Maia, baiana distinta, très pschutt. A segunda foi a de Mlle. Pedrosa, filha de um desembargador de São Paulo, adorable. E apontou mais três, comparou depois as cinco, deduziu e concluiu. Às vezes esquecia-se e falava francês; pode mesmo ser que não fosse esquecimento, mas propósito; conhecia bem a língua, exprimia-se com facilidade e formulara um dia este axioma
etnológico — que há parisienses em toda a parte. De caminho, explicou um problema de voltarete.
— A senhora tem cinco trunfos de espadilha e manilha, tem rei e dama de copas…
Maria Regina ia descambando da admiração no fastio; agarrava-se aqui e ali, contemplava a figura moça do Maciel, recordava a bela ação daquele dia, mas ia sempre escorregando; o fastio não tardava a absorvê-la. Não havia remédio. Então recorreu a um singular expediente. Tratou de combinar os dous homens, o presente com o ausente, olhando para um, e escutando o outro de memória; recurso violento e doloroso, mas tão eficaz, que ela pôde contemplar por algum tempo uma
criatura perfeita e única.
Nisto apareceu o outro, o próprio Miranda. Os dois homens cumprimentaram-se friamente; Maciel demorou-se ainda uns dez minutos e saiu.
Miranda ficou. Era alto e seco, fisionomia dura e gelada. Tinha o rosto cansado, os cinqüenta anos confessavam-se tais, nos cabelos grisalhos, nas rugas e na pele. Só os olhos continham alguma cousa menos caduca. Eram pequenos, e escondiam-se por baixo da vasta arcada do sobrolho; mas lá, ao fundo, quando não estavam pensativos, centelhavam de mocidade. A avó perguntou-lhe, logo que Maciel saiu, se já tinha notícia do acidente do Engenho Velho, e contou-lho com grandes
encarecimentos, mas o outro ouvia tudo sem admiração nem inveja.
— Não acha sublime? perguntou ela, no fim.
— Acho que ele salvou talvez a vida a um desalmado que algum dia, sem o conhecer, pode meter-lhe uma faca na barriga.
— Oh! protestou a avó.
— Ou mesmo conhecendo, emendou ele.
— Não seja mau, acudiu Maria Regina; o senhor era bem capaz de fazer o mesmo, se ali estivesse.
Miranda sorriu de um modo sardônico. O riso acentuou-lhe a dureza da fisionomia. Egoísta e mau, este Miranda primava por um lado único: espiritualmente, era completo. Maria Regina achava nele o tradutor maravilhoso e fiel de uma porção de idéias que lutavam dentro dela, vagamente, sem forma ou expressão. Era engenhoso e fino e até profundo, tudo sem pedantice, e sem meter-se por matos cerrados, antes quase sempre na planície das conversações ordinárias; tão certo é que as cousas
valem pelas idéias que nos sugerem. Tinham ambos os mesmos gostos artísticos; Miranda estudara direito para obedecer ao pai; a sua vocação era a música.
A avó, prevendo a sonata, aparelhou a alma para alguns cochilos. Demais, não podia admitir tal homem no coração; achava-o aborrecido e antipático. Calou-se no fim de alguns minutos. A sonata veio, no meio de uma conversação que Maria Regina achou deleitosa, e não veio senão porque ele lhe pediu que tocasse; ele ficaria de bom grado a ouvi-la.
— Vovó, disse ela, agora há de ter paciência…
Miranda aproximou-se do piano. Ao pé das arandelas, a cabeça dele mostrava toda a fadiga dos anos, ao passo que a expressão da fisionomia era muito mais de pedra e fel. Maria Regina notou a graduação, e tocava sem olhar para ele; difícil cousa, porque, se ele falava, as palavras entravam-lhe tanto pela alma, que a moça insensivelmente levantava os olhos, e dava logo com um velho ruim. Então é que se lembrava do Maciel, dos seus anos em flor, da fisionomia franca, meiga e boa, e afinal
da ação daquele dia. Comparação tão cruel para o Miranda, como fora para o Maciel o cotejo dos seus espíritos. E a moça recorreu ao mesmo expediente. Completou um pelo outro; escutava a este com o pensamento naquele; e a música ia ajudando a ficção, indecisa a princípio, mas logo viva e acabada. Assim Titânia, ouvindo namorada a cantiga do tecelão, admirava-lhe as belas formas, sem advertir que a cabeça era de burro.
IV MINUETTO
DEZ, VINTE, trinta dias passaram depois daquela noite, e ainda mais vinte, e depois mais trinta. Não há cronologia certa; melhor é ficar no vago. A situação era a mesma. Era a mesma insuficiência individual dos dous homens, e o mesmo complemento ideal por parte dela; daí um terceiro homem, que ela não conhecia.
Maciel e Miranda desconfiavam um do outro, detestavam-se a mais e mais, e padeciam muito, Miranda principalmente, que era paixão da última hora. Afinal acabaram aborrecendo a moça. Esta viu-os ir pouco a pouco. A esperança ainda os fez relapsos, mas tudo morre, até a esperança, e eles saíram para nunca mais. As noites foram passando, passando… Maria Regina compreendeu que estava acabado.
A noite em que se persuadiu bem disto foi uma das mais belas daquele ano, clara, fresca, luminosa. Não havia lua; mas nossa amiga aborrecia a lua, — não se sabe bem por que, — ou porque brilha de empréstimo, ou porque toda a gente a admira, e pode ser que por ambas as razões. Era uma das suas esquisitices. Agora outra.
Tinha lido de manhã, em uma notícia de jornal, que há estrelas duplas, que nos parecem um só astro. Em vez de ir dormir, encostou-se à janela do quarto, olhando para o céu, a ver se descobria alguma delas; baldado esforço. Não a descobrindo no céu, procurou-a em si mesma, fechou os olhos para imaginar o fenômeno; astronomia fácil e barata, mas não sem risco. O pior que ela tem é pôr os astros ao alcance da mão; por modo que, se a pessoa abre os olhos e eles continuam a fulgurar lá em
cima, grande é o desconsolo e certa a blasfêmia. Foi o que sucedeu aqui. Maria Regina viu dentro de si a estrela dupla e única. Separadas, valiam bastante; juntas, davam um astro esplêndido. E ela queria o astro esplêndido. Quando abriu os olhos e viu que o firmamento ficava tão alto, concluiu que a criação era um livro falho e incorreto, e desesperou.
No muro da chácara viu então uma cousa parecida com dous olhos de gato. A princípio teve medo, mas advertiu logo que não era mais que a reprodução externa dos dous astros que ela vira em si mesma e que tinham ficado impressos na retina. A retina desta moça fazia refletir cá fora todas as suas imaginações. Refrescando o vento recolheu-se, fechou a janela e meteu-se na cama.
Não dormiu logo, por causa de duas rodelas de opala que estavam incrustadas na parede; percebendo que era ainda uma ilusão, fechou os olhos e dormiu. Sonhou que morria, que a alma dela, levada aos ares, voava na direção de uma bela estrela dupla. O astro desdobrou-se, e ela voou para uma das duas porções; não achou ali a sensação primitiva e despenhou-se para outra; igual resultado, igual regresso, e ei-la a andar de uma para outra das duas estrelas separadas. Então uma voz surgiu do abismo, com palavras que ela não entendeu.
— É a tua pena, alma curiosa de perfeição; a tua pena é oscilar por toda a eternidade entre dois astros incompletos, ao som desta velha sonata do absoluto: lá, lá, lá…
Caligrafia de Machado de Assis era tão ruim que revisores recusavam trabalhar com ele
Publicado Agosto 30, 2008 1 2 Comentários
A letra de Machado de Assis era muito ruim. Redator do Diário de Janeiro, de Quintino Bocaiúva, os revisores recusaram trabalhar com ele sem que melhorasse a caligrafia. Quintino respondeu aos reclamantes que só os atenderia se lhe mostrassem original de Machado que ele não conseguisse ler. Mostraram. Não só Quintino, mas o próprio Machado não foi capaz de decifrar o que havia escrito.
História da caneta esferográfica
O revisor tipográfico húngaro Ladislao “Laszlo” Biro (1899-1985) quebrou a cabeça até inventar, em 1937, uma caneta que não borrasse ou cuja tinta não secasse no depósito, como fazia a velha caneta-tinteiro. Na oficina do jornal em que trabalhava, na cidade de Budapeste, ele deteve-se a observar o funcionamento da rotativa. O cilindro se empapava de tinta e imprimia o texto nele gravado sobre o papel. Com a ajuda de seu irmão Georg, que era químico, e do amigo Imre Gellért, um técnico industrial, Biro encontrou a solução. Ele acondicionou a tinta dentro de um tubo plástico. A tinta, pela força de gravidade, descia para a ponta do tubo. Nessa mesma ponta, ele colocou uma esfera de metal que, ao girar, distribuía a tinta de uma maneira uniforme pelo papel. Os dedos não ficavam sujos de tinta e o papel nunca borrava. Veio a Segunda Guerra Mundial e Biro achou melhor se exilar na Argentina, em 1940. Em sociedade com um amigo, abriu uma fabriqueta, que funcionava inicialmente numa garagem. A nova caneta chegou às lojas três anos depois com o nome de “birome”. Em agosto de 1944, a revista americana Time publicou uma nota sobre a novidade, lembrando que ela era a única caneta que permitia escrever a bordo de um avião, porque a tinta não vazava. Depois disso, uma empresa comprou os direitos da invenção para os Estados Unidos por 2 milhões de dólares. Biro se naturalizou argentino e viveu em Buenos Aires até morrer, em 1985.
A caneta esferográfica chegou ao Brasil no final da década de 1940. A loja Galeria das Canetas, em São Paulo, fez a primeira importação.
1839
Nasce, a 21 de junho, no Rio de Janeiro, no morro do Livramento (situada na zona portuária), filho do brasileiro (mulato) Francisco José de Assis e da portuguesa (açoreana) Maria Leopoldina Machado da Câmara, que provavelmente prestavam serviços de costura e pintura e douração na Quinta do Livramento; é batizado com o nome de Joaquim Maria em homenagem aos padrinhos, que foram a dona da quinta e seu genro.
1839-1855
Não há muitos dados dessa época; sabe-se que perdeu a mãe em 1849, já tendo perdido uma irmãzinha mais nova (1845); em 1854, o pai casa-se de novo; não há notícia precisa sobre que escolas teria freqüentado.
1855
A Marmota Fluminense, de Paula Brito, publica seu poema “Ela”; inicia-se uma colaboração que duraria até 1861.
1856
Entra para a Imprensa Nacional, como aprendiz de tipógrafo, onde fica até 1858; aí conhece e se torna amigo de Manuel Antônio de Almeida.
1858
Entra para a tipografia e livraria de Paula Brito e torna-se amigo de vários jovens poetas e escritores; colabora no jornal Correio Mercantil, do qual é também revisor.
1859-1860
Colabora no periódico O Espelho, onde publica artigos de crítica teatral.
1860-1867
A convite de Quintino Bocaiúva, passa a colaborar, sob vários pseudônimos, no liberal Diário do Rio de Janeiro, no qual, além de crítico de teatro, será cronista parlamentar, junto ao Senado do Império; colabora também na Semana Ilustrada.
1863
Passa a colaborar no Jornal das Famílias, onde publica, a partir de junho de 1864, vários contos.
1864
É publicado o seu primeiro volume de poesias: Crisálidas; tem início a Guerra do Paraguai.
1866
Chega ao Rio de Janeiro D. Carolina Augusta Xavier de Novais, irmã do poeta Faustino Xavier de Novais, amigo de Machado de Assis.
1868
Em carta aberta, publicada no Correio Mercantil, José de Alencar lhe pede que sirva de guia no mundo das letras para o jovem poeta Castro Alves; a essa altura, já é um crítico consagrado.
1869
Assina, com a editora Garnier, contrato para a edição do livro de poemas Falenas e de Contos fluminenses, publicados em dezembro do mesmo ano; em novembro casa-se com D. Carolina.
1872
É publicado o seu primeiro romance, Ressurreição.
1873
Publica seu segundo livro de contos, Histórias da meia-noite, e “Notícia da Atual Literatura Brasileira: Instinto de Nacionalidade”, talvez o mais importante de seus ensaios críticos; passa a trabalhar na Secretaria de Estado da Agricultura, Comércio e Obras Públicas.
1874
Publica em livro seu segundo romance: A mão e a luva, que saiu inicialmente, em partes, no republicano O Globo, de Quintino Bocaiúva.
1875
Publica seu terceiro livro de poesia: Americanas.
1876
Publica em livro seu terceiro romance: Helena, que também saíra nas colunas de O Globo.
1878
É publicado o seu quarto romance: Iaiá Garcia.
1881
Depois de sair em capítulos na Revista Brasileira, sai em livro o seu quarto romance Memórias póstumas de Brás Cubas, que revoluciona a literatura brasileira; neste mesmo ano, ocupa a função de oficial de gabinete do ministro da Agricultura; passa a colaborar na Gazeta de Notícias, o que ocorrerá até 1897.
1882
Publica seu terceiro livro de contos, Papéis Avulsos, onde se encontra uma de suas obras-primas, “O alienista”.
1884
Passa a morar na Rua Cosme Velho, 18, onde residirá até a morte; reúne e publica em livro os contos de Histórias sem data, antes já estampados em três diferentes periódicos.
1888
Por decreto imperial, é nomeado oficial da Ordem da Rosa; não se manifesta publicamente sobre a Abolição da Escravatura, a respeito da qual falará discretamente em Esaú e Jacó, seu oitavo romance.
1889
Passa a ocupar uma diretoria na Secretaria de Estado da Agricultura, Comércio e Obras Públicas; reage também discretamente à Proclamação da República.
1891
Sai em livro o romance Quincas Borba, do qual uma primeira versão fora publicada, em partes, na revista A Estação; o Marechal Deodoro da Fonseca renuncia e o vice-presidente, Marechal Floriano Peixoto, assume o cargo de Presidente da República.
1893
Eclode a Revolta da Armada e tem início a Revolução Federalista, cujos objetivos eram a deposição do então presidente Floriano Peixoto; a ambas alude em Esaú e Jacó.
1896
Publicação de Várias histórias, seu quinto livro de contos; eclode a Guerra de Canudos.
1897
Torna-se o primeiro presidente da recém-fundada Academia Brasileira de Letras.
1898
O Conselheiro Lafaiete Rodrigues Pereira publica, sob o pseudônimo de Labieno, no Jornal do Commercio, uma série de artigos em que defende Machado de Assis das críticas de Sílvio Romero.
Publica Páginas recolhidas, do qual faz parte outra de suas obras-primas, “Missa do galo”; no último dia do ano, sai do prelo, em Paris, Dom Casmurro, que circulará no Brasil em 1900.
1901
É publicado um volume de suas Poesias Completas, que compreende os três livros de versos anteriores (Crisálidas, Falenas, Americanas) mais a coletânea Ocidentais, inédita em volume.
1904
Publica Esaú e Jacó, que seria seu penúltimo romance; a 20 de outubro, falece D. Carolina, o que o deixa emocionalmente devastado, conforme vários testemunhos e como relata em carta a Joaquim Nabuco.
1906
É publicada a miscelânea Relíquias de Casa Velha, da qual consta seu mais famoso soneto, “A Carolina”, dedicado à mulher, já falecida.
1908
Publica-se seu nono e último romance, Memorial de Aires; falece, a 29 de setembro, aos 69 anos de idade.
texto original aqui!
O grande desafio da física, desde Einstein, é provar – e comprovar – que a viagem no tempo é mesmo possível. Enquanto se espera o desenrolar da ciência, os amantes da literatura podem dar seus passeios temporais através da leitura.
O tempo e suas mudanças
Machado de Assis retrata em seus romances, contos e crônicas, cidade do Rio de Janeiro do Segundo Reinado. Com ele, e seus personagens, caminha-se pelo Centro da Cidade, Gamboa, Tijuca, Santa Teresa, Catete e encontra-se ruas com nomes já modificados.
Esse Rio antigo é o que abriga os olhos de ressaca de Capitu, os ciúmes de Bentinho, as memórias de Brás Cubas e por onde Quincas Borba deu seus passos.
Através das páginas de Machado pode-se percorrer ruas como a dos Barbonos, hoje Evaristo da Veiga, e a Rua da Vala, atual Uruguaiana, ambas no Centro da Cidade; andar por vias com iluminação a gás; caminhar pelo bairro da Tijuca com suas chácaras, enfim, conhecer um lugar tão diferente do atual. Neste lugar, o morro do Corcovado ainda não ostentava a estátua do Cristo Redentor e os carros davam lugar a bondes e tílburis.
Aonde você mora?
Bentinho, protagonista de Dom Casmurro, quando solteiro, morava com sua mãe na rua Matacavalos, hoje rua do Riachuelo. Ao casar-se com Capitu, mudou-se para a Glória e, junto com a esposa, apreciava a paisagem da montanha e do mar – onde hoje tem-se o Aterro do Flamengo.
O personagem também contemplava outros bairros, como o de Santa Teresa: “(…) eu andava carregado de promessas não cumpridas. A última foi de 200 padre-nossos e 200 ave-marias, se não chovesse em certa tarde de passeio a Santa Teresa. Não choveu, mas eu não rezei as orações”. E também o Catete: “(…) acendi um charuto e dei por mim no Catete; tinha subido pela Rua da Princesa, uma rua antiga… Ó ruas antigas! Ó casas antigas, ó pernas antigas! Todos nós éramos antigos e não é preciso dizer que no mau sentido, no sentido de velho e acabado”.
Em Quincas Borba, Rubião, procurando uma casa para morar, achava que o Flamengo tinha a dupla vantagem de ficar perto do mar e do centro da cidade, mas acabou indo morar em Botafogo, numa das casas que Quincas Borba lhe deixou em testamento. Sofia, moradora do Flamengo, admirava-se com a força do mar, que contemplava de sua janela: “(…) as ondas que vinham morrer defronte, as que levantavam e desfaziam a entrada da barra. (…) Aquilo era a valsa das águas, (…) sem velas nem remos”.
Já com Brás Cubas, em Memórias Póstumas de Brás Cubas, o leitor conhece o bairro da Gamboa, onde o personagem-narrador encontra-se furtivamente com Virgília, na casa de Dona Plácida: “(…) arranjemos a casinha. Com efeito, achei-a, dias depois, expressamente feita em um recanto da Gamboa. Um brinco! Nova, caiada de fresco, com quatro janelas de frente e duas de cada lado – todas com venezianas cor de tijolo –, trepadeira nos cantos, jardim na frente, mistério e solidão. Um brinco!”.
Outro bairro que agradava muito Brás Cubas era a Tijuca, cheia de chácaras e lugares de repouso, mas ruim para se morar, por causa da distância; segundo ele, bom para se fugir aos homens. É na Tijuca que ele decide morar após perder sua mãe: “Ui! Lá me ia a pena a escorregar para o enfático. Sejamos simples, como era simples a vida que levei na Tijuca, durante as primeiras semanas depois da morte de minha mãe”.
Contemplando a alma da cidade
Na crônica Tempo de Crise, Machado de Assis faz uma reflexão sobre a Rua do Ouvidor: “A Rua do Ouvidor resume o Rio de Janeiro. A certas horas do dia, pode a fúria celeste destruir a cidade; se conservar a Rua do Ouvidor, conserva Noé, a família e o mais… Uma cidade é um corpo de pedra com um rosto; o rosto da cidade fluminense é esta rua, rosto eloqüente que exprime todos os sentimentos e todas as idéias”.
http://www.revistaparadoxo.com/materia.php?ido=2095
Está acontecendo…
Publicado Agosto 27, 2008 1 Deixar um ComentárioTags: machado de assis, márcia leite, oficina, papéis avulso, SESC Pompéia, software livre

http://farm4.static.flickr.com/3295/2791515578_ae6be618ef.jpg?v=0






