Arquivo para Agosto, 2008
Caligrafia de Machado de Assis era tão ruim que revisores recusavam trabalhar com ele
Publicado Agosto 30, 2008 1 2 Comentários
A letra de Machado de Assis era muito ruim. Redator do Diário de Janeiro, de Quintino Bocaiúva, os revisores recusaram trabalhar com ele sem que melhorasse a caligrafia. Quintino respondeu aos reclamantes que só os atenderia se lhe mostrassem original de Machado que ele não conseguisse ler. Mostraram. Não só Quintino, mas o próprio Machado não foi capaz de decifrar o que havia escrito.
História da caneta esferográfica
O revisor tipográfico húngaro Ladislao “Laszlo” Biro (1899-1985) quebrou a cabeça até inventar, em 1937, uma caneta que não borrasse ou cuja tinta não secasse no depósito, como fazia a velha caneta-tinteiro. Na oficina do jornal em que trabalhava, na cidade de Budapeste, ele deteve-se a observar o funcionamento da rotativa. O cilindro se empapava de tinta e imprimia o texto nele gravado sobre o papel. Com a ajuda de seu irmão Georg, que era químico, e do amigo Imre Gellért, um técnico industrial, Biro encontrou a solução. Ele acondicionou a tinta dentro de um tubo plástico. A tinta, pela força de gravidade, descia para a ponta do tubo. Nessa mesma ponta, ele colocou uma esfera de metal que, ao girar, distribuía a tinta de uma maneira uniforme pelo papel. Os dedos não ficavam sujos de tinta e o papel nunca borrava. Veio a Segunda Guerra Mundial e Biro achou melhor se exilar na Argentina, em 1940. Em sociedade com um amigo, abriu uma fabriqueta, que funcionava inicialmente numa garagem. A nova caneta chegou às lojas três anos depois com o nome de “birome”. Em agosto de 1944, a revista americana Time publicou uma nota sobre a novidade, lembrando que ela era a única caneta que permitia escrever a bordo de um avião, porque a tinta não vazava. Depois disso, uma empresa comprou os direitos da invenção para os Estados Unidos por 2 milhões de dólares. Biro se naturalizou argentino e viveu em Buenos Aires até morrer, em 1985.
A caneta esferográfica chegou ao Brasil no final da década de 1940. A loja Galeria das Canetas, em São Paulo, fez a primeira importação.
1839
Nasce, a 21 de junho, no Rio de Janeiro, no morro do Livramento (situada na zona portuária), filho do brasileiro (mulato) Francisco José de Assis e da portuguesa (açoreana) Maria Leopoldina Machado da Câmara, que provavelmente prestavam serviços de costura e pintura e douração na Quinta do Livramento; é batizado com o nome de Joaquim Maria em homenagem aos padrinhos, que foram a dona da quinta e seu genro.
1839-1855
Não há muitos dados dessa época; sabe-se que perdeu a mãe em 1849, já tendo perdido uma irmãzinha mais nova (1845); em 1854, o pai casa-se de novo; não há notícia precisa sobre que escolas teria freqüentado.
1855
A Marmota Fluminense, de Paula Brito, publica seu poema “Ela”; inicia-se uma colaboração que duraria até 1861.
1856
Entra para a Imprensa Nacional, como aprendiz de tipógrafo, onde fica até 1858; aí conhece e se torna amigo de Manuel Antônio de Almeida.
1858
Entra para a tipografia e livraria de Paula Brito e torna-se amigo de vários jovens poetas e escritores; colabora no jornal Correio Mercantil, do qual é também revisor.
1859-1860
Colabora no periódico O Espelho, onde publica artigos de crítica teatral.
1860-1867
A convite de Quintino Bocaiúva, passa a colaborar, sob vários pseudônimos, no liberal Diário do Rio de Janeiro, no qual, além de crítico de teatro, será cronista parlamentar, junto ao Senado do Império; colabora também na Semana Ilustrada.
1863
Passa a colaborar no Jornal das Famílias, onde publica, a partir de junho de 1864, vários contos.
1864
É publicado o seu primeiro volume de poesias: Crisálidas; tem início a Guerra do Paraguai.
1866
Chega ao Rio de Janeiro D. Carolina Augusta Xavier de Novais, irmã do poeta Faustino Xavier de Novais, amigo de Machado de Assis.
1868
Em carta aberta, publicada no Correio Mercantil, José de Alencar lhe pede que sirva de guia no mundo das letras para o jovem poeta Castro Alves; a essa altura, já é um crítico consagrado.
1869
Assina, com a editora Garnier, contrato para a edição do livro de poemas Falenas e de Contos fluminenses, publicados em dezembro do mesmo ano; em novembro casa-se com D. Carolina.
1872
É publicado o seu primeiro romance, Ressurreição.
1873
Publica seu segundo livro de contos, Histórias da meia-noite, e “Notícia da Atual Literatura Brasileira: Instinto de Nacionalidade”, talvez o mais importante de seus ensaios críticos; passa a trabalhar na Secretaria de Estado da Agricultura, Comércio e Obras Públicas.
1874
Publica em livro seu segundo romance: A mão e a luva, que saiu inicialmente, em partes, no republicano O Globo, de Quintino Bocaiúva.
1875
Publica seu terceiro livro de poesia: Americanas.
1876
Publica em livro seu terceiro romance: Helena, que também saíra nas colunas de O Globo.
1878
É publicado o seu quarto romance: Iaiá Garcia.
1881
Depois de sair em capítulos na Revista Brasileira, sai em livro o seu quarto romance Memórias póstumas de Brás Cubas, que revoluciona a literatura brasileira; neste mesmo ano, ocupa a função de oficial de gabinete do ministro da Agricultura; passa a colaborar na Gazeta de Notícias, o que ocorrerá até 1897.
1882
Publica seu terceiro livro de contos, Papéis Avulsos, onde se encontra uma de suas obras-primas, “O alienista”.
1884
Passa a morar na Rua Cosme Velho, 18, onde residirá até a morte; reúne e publica em livro os contos de Histórias sem data, antes já estampados em três diferentes periódicos.
1888
Por decreto imperial, é nomeado oficial da Ordem da Rosa; não se manifesta publicamente sobre a Abolição da Escravatura, a respeito da qual falará discretamente em Esaú e Jacó, seu oitavo romance.
1889
Passa a ocupar uma diretoria na Secretaria de Estado da Agricultura, Comércio e Obras Públicas; reage também discretamente à Proclamação da República.
1891
Sai em livro o romance Quincas Borba, do qual uma primeira versão fora publicada, em partes, na revista A Estação; o Marechal Deodoro da Fonseca renuncia e o vice-presidente, Marechal Floriano Peixoto, assume o cargo de Presidente da República.
1893
Eclode a Revolta da Armada e tem início a Revolução Federalista, cujos objetivos eram a deposição do então presidente Floriano Peixoto; a ambas alude em Esaú e Jacó.
1896
Publicação de Várias histórias, seu quinto livro de contos; eclode a Guerra de Canudos.
1897
Torna-se o primeiro presidente da recém-fundada Academia Brasileira de Letras.
1898
O Conselheiro Lafaiete Rodrigues Pereira publica, sob o pseudônimo de Labieno, no Jornal do Commercio, uma série de artigos em que defende Machado de Assis das críticas de Sílvio Romero.
Publica Páginas recolhidas, do qual faz parte outra de suas obras-primas, “Missa do galo”; no último dia do ano, sai do prelo, em Paris, Dom Casmurro, que circulará no Brasil em 1900.
1901
É publicado um volume de suas Poesias Completas, que compreende os três livros de versos anteriores (Crisálidas, Falenas, Americanas) mais a coletânea Ocidentais, inédita em volume.
1904
Publica Esaú e Jacó, que seria seu penúltimo romance; a 20 de outubro, falece D. Carolina, o que o deixa emocionalmente devastado, conforme vários testemunhos e como relata em carta a Joaquim Nabuco.
1906
É publicada a miscelânea Relíquias de Casa Velha, da qual consta seu mais famoso soneto, “A Carolina”, dedicado à mulher, já falecida.
1908
Publica-se seu nono e último romance, Memorial de Aires; falece, a 29 de setembro, aos 69 anos de idade.
texto original aqui!
O grande desafio da física, desde Einstein, é provar – e comprovar – que a viagem no tempo é mesmo possível. Enquanto se espera o desenrolar da ciência, os amantes da literatura podem dar seus passeios temporais através da leitura.
O tempo e suas mudanças
Machado de Assis retrata em seus romances, contos e crônicas, cidade do Rio de Janeiro do Segundo Reinado. Com ele, e seus personagens, caminha-se pelo Centro da Cidade, Gamboa, Tijuca, Santa Teresa, Catete e encontra-se ruas com nomes já modificados.
Esse Rio antigo é o que abriga os olhos de ressaca de Capitu, os ciúmes de Bentinho, as memórias de Brás Cubas e por onde Quincas Borba deu seus passos.
Através das páginas de Machado pode-se percorrer ruas como a dos Barbonos, hoje Evaristo da Veiga, e a Rua da Vala, atual Uruguaiana, ambas no Centro da Cidade; andar por vias com iluminação a gás; caminhar pelo bairro da Tijuca com suas chácaras, enfim, conhecer um lugar tão diferente do atual. Neste lugar, o morro do Corcovado ainda não ostentava a estátua do Cristo Redentor e os carros davam lugar a bondes e tílburis.
Aonde você mora?
Bentinho, protagonista de Dom Casmurro, quando solteiro, morava com sua mãe na rua Matacavalos, hoje rua do Riachuelo. Ao casar-se com Capitu, mudou-se para a Glória e, junto com a esposa, apreciava a paisagem da montanha e do mar – onde hoje tem-se o Aterro do Flamengo.
O personagem também contemplava outros bairros, como o de Santa Teresa: “(…) eu andava carregado de promessas não cumpridas. A última foi de 200 padre-nossos e 200 ave-marias, se não chovesse em certa tarde de passeio a Santa Teresa. Não choveu, mas eu não rezei as orações”. E também o Catete: “(…) acendi um charuto e dei por mim no Catete; tinha subido pela Rua da Princesa, uma rua antiga… Ó ruas antigas! Ó casas antigas, ó pernas antigas! Todos nós éramos antigos e não é preciso dizer que no mau sentido, no sentido de velho e acabado”.
Em Quincas Borba, Rubião, procurando uma casa para morar, achava que o Flamengo tinha a dupla vantagem de ficar perto do mar e do centro da cidade, mas acabou indo morar em Botafogo, numa das casas que Quincas Borba lhe deixou em testamento. Sofia, moradora do Flamengo, admirava-se com a força do mar, que contemplava de sua janela: “(…) as ondas que vinham morrer defronte, as que levantavam e desfaziam a entrada da barra. (…) Aquilo era a valsa das águas, (…) sem velas nem remos”.
Já com Brás Cubas, em Memórias Póstumas de Brás Cubas, o leitor conhece o bairro da Gamboa, onde o personagem-narrador encontra-se furtivamente com Virgília, na casa de Dona Plácida: “(…) arranjemos a casinha. Com efeito, achei-a, dias depois, expressamente feita em um recanto da Gamboa. Um brinco! Nova, caiada de fresco, com quatro janelas de frente e duas de cada lado – todas com venezianas cor de tijolo –, trepadeira nos cantos, jardim na frente, mistério e solidão. Um brinco!”.
Outro bairro que agradava muito Brás Cubas era a Tijuca, cheia de chácaras e lugares de repouso, mas ruim para se morar, por causa da distância; segundo ele, bom para se fugir aos homens. É na Tijuca que ele decide morar após perder sua mãe: “Ui! Lá me ia a pena a escorregar para o enfático. Sejamos simples, como era simples a vida que levei na Tijuca, durante as primeiras semanas depois da morte de minha mãe”.
Contemplando a alma da cidade
Na crônica Tempo de Crise, Machado de Assis faz uma reflexão sobre a Rua do Ouvidor: “A Rua do Ouvidor resume o Rio de Janeiro. A certas horas do dia, pode a fúria celeste destruir a cidade; se conservar a Rua do Ouvidor, conserva Noé, a família e o mais… Uma cidade é um corpo de pedra com um rosto; o rosto da cidade fluminense é esta rua, rosto eloqüente que exprime todos os sentimentos e todas as idéias”.
http://www.revistaparadoxo.com/materia.php?ido=2095
Está acontecendo…
Publicado Agosto 27, 2008 1 Deixar um ComentárioTags: machado de assis, márcia leite, oficina, papéis avulso, SESC Pompéia, software livre

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Softwares abordados durante as oficinas: Inkscape (imagem vetorial), Gimp (imagem raster), Stop Motion (animação quadro a quadro) e Cinelerra (editor de vídeo).
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